Leituras de Anna Maria Monteiro

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O AVESSO DO NIILISMO é um rigoroso diagnóstico dos afetos que o governo niilista da vida aciona. O objetivo do estudo é, a partir da relação entre niilismo e biopolítica, atualizar o sentido do conceito nietzschiano, inscrevendo-o no diagrama histórico contemporâneo.

Pelbart parte do sintoma mais flagrante do presente – o esgotamento, a crise – para expressar o campo microfísico das forças ATIVAS e REATIVAS em jogo na composição social neoliberal.

A cartografia é o método pelo qual é possível nuançar, por um lado, o funcionamento dos dispositivos de produção de valores e subjetividades capitalísticas, para, no movimento seguinte, revirá-los do avesso no ato de nomear as possibilidades de RESISTÊNCIA que espoucam mundo afora e criam formas outras de viver, produzir e pensar em comum.🦋

Nada mais em sintonia com a  candente contemporaneidade do que o tema do niilismo. Disso trata o recente livro do filósofo Peter Pál Pelbart. O Avesso do Niilismo: cartografias do esgotamento (2013) (345 p.) foi publicado, em versão bilíngue, pela N-1 edições, fruto de uma parceria entre editores do Brasil e Finlândia. Os ensaios reunidos são, em sua maioria, resultados de intervenções apresentadas por Pelbart ao longo das duas
últimas décadas em seminários de filosofia, conversas sobre criação artística e debates políticos realizados no Brasil e no mundo, bem como artigos escritos exclusivamente para o adensamento da obra, dando um caráter indisciplinar à pesquisa.

Nesta multiplicidade de textos, o filósofo não mobiliza a noção cara a Nietzsche no marco de uma querela que supostamente desvelaria a essência subjacente ao conceito.

Antes, o objetivo do autor é nomear adequadamente a energética niilista que agita cotidianamente as micro-relações  sociais e diagnosticar, por conseguinte, o campo das forças ativas e reativas em jogo. A ideia é problematizar e atualizar o niilismo no diagrama histórico contemporâneo, notadamente biopolítico, no qual o estado de esgotamento generalizado é o sintoma mais flagrante. A cartografia é o método pelo qual é possível seguir e nuançar os processos materiais e subjetivos, o pathos da associação entre niilismo e biopolítica que se encontram dentro da constituição do maquinário capitalista neoliberal.

Para essa empreitada, Pelbart faz uma leitura cerrada da obra de Nietzstche e do pós-estruturalismo de Deleuze, Guattari e Foucault e os conecta com uma rede de intercessores que mistura o pensamento de Espinoza, Negri, Lazzarato, Simondon, Preciado, Stenger, James, Deligny, Viveiros de Castro, Agamben, até mesmo Heidegger, com a literatura de Becket, Melville, Kafka, Proust, Joyce, Dostoievsky, dentre  outros.

Dessa conversação desdobram-se os conceitos mais inusitados, com suas personagens filosóficas correlatas, num mapeamento cuidadoso dos afetos que circulam pelo território políticoeconômico-subjetivo do presente.

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