Ter tido o corpo apunhalado não significa que o coração se feriu

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Luiz Roberto Benatti

 

Não é de hoje que o País de modo irremediável rachou-se de alto a baixo. A novidade é que as redes sociais que nos emprestaram caderno de jornal para a redação do libelo e microfone para exibir rosto e voz, perdidas na penumbra da incultura, gritam e esperneiam, xingam e prometem que seu candidato passará como trator sobre ossos e aponevrose dos erros , para nos devolver a um pequeno mundo de eterna felicidade. Assim, o candidato de meu vizinho será nada mais, nada menos que o diabo pintado de escarlate e terra sombra queimada. Políticos apunhalados foram muitos, cujas motivações parecem assemelhar-se, bem como as facas que, reunidas, poderiam formar o grande acervo do Museu da Desrazão e os Ínvios Caminhos: Júlio César, Calígula, Sadi Carnot, o amigo do Imperador Pedro II, Elisabete da Áustria. A faca custa bem menos que o revólver e, nas prisões, poderá ser feita de colher ou escova de dentes. Ao parafrasear o argentino Borges, poderíamos talvez dizer que a primeira faca não será jamais a última. A faca é fria e não se denuncia pelo estampido.

[Na imagem, a reconstituição do momento em que Elisabete da Áustria foi esfaqueada.]

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