A ninguenzada tem muito medo de morrer de catapora

001

Luiz Roberto Benatti

 Se os corações não estivessem para sair pela boca e a boca se aquietasse um pouco para que o cérebro abandonasse a febre na pia do banheiro, iríamos nos dar conta de que o Pai totêmico, tonitruante e abestalhado faz muita falta, cujo luto é atroz.  A massa tem medo. A massa teme a revolta popular e a sexualidade. Passe os olhos pelas linhas iradas do Messenger e constate que o número de vezes em que os desesperados apontam para a nudez, a homossexualidade & suas variantes, bem como para a invasão das escolas por  cartilhas perniciosas que insistem em dizer bobagens sobre a identidade anatômica entre homem e mulher, porque, é claro, que os machos têm algo que as mulheres não têm e porque não têm o penduricalho por certo são seres inferiores etc. A ninguenzada precisa do falo, seu cetro, glória e poder. W. Reich afirmou que a suástica era a representação simbólica da cena primitiva, a cópula de pai e mãe que a criança de poucos dias poderá ver como prática canibalesca. “Em bandidos e assassinos”, acabou de dizer no Facebook uma jovem senhora, “não podemos confiar”, O Pai totêmico vai salvá-la de si mesma e de seu pavor. Todo imaginário tem lá uma porção  de neurose.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s