UM PANORAMA VISTO DA PONTE

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                    Sérgio Roxo da Fonseca

       A peça teatral “Um Panorama visto da Ponte”, agora exibida em São Paulo, foi escrita pelo norte-americano Arthur Miller, também autor do festejado texto “A Morte do Caixeiro Viajante”. O teatro norte-americano, naquela época, havia encontrado seu apogeu. Arthur Miller foi insuperável em seu tempo. Curiosamente ganhou mais prestígio fora dos palcos, porque foi casado com Marilyn Monroe, atriz que então atraia os aplausos e as luzes universais.

       A peça “Um Panorama visto da Ponte” retrata um grupo de imigrantes italianos vindo para os Estados Unidos em busca de melhores fortunas. Aquelas pobres pessoas tornaram-se imigrantes na época da grande recessão de 1930.

       Residiam numa ponte em Nova York. A pobreza impunha uma convivência de muita proximidade entre eles. Praticamente viam os Estados Unidos por meio de um panorama tirado daquela ponte de Brooklin. Deitando seu olhar à distância, os entendimentos alcançados eram quase sempre conflitantes.

       E hoje? Vemos o mundo à distância? A nossa verdade é múltipla? Pior ainda, é espantoso ingressar na ponte fantástica e batalhar pela imposição das regras muitas delas verdadeiras portas do inferno e não do aparente paraíso terrestre?

       É verdade ou mentira? O que seria a nossa verdade? Há uma nossa verdade? A nossa verdade é a verdadeira quando vemos o mundo por meio de um panorama visto da ponte? Trata-se de uma visão universal ou angular?

       Anteriormente Platão timbrou o tema no texto chamado “O Mito da Caverna”. Pessoas presas no fundo de uma caverna, compreendem o mundo exterior pelas sombras por ele projetadas na  parede. Para elas, que vivem na escuridão, o mundo exterior é composto por sombras, portanto sem luz.

       Para os cavernosos, a caverna é iluminada. Ao contrário, segundo entendem, o mundo exterior vive pavorosamente mergulhado na escuridão. Um cavernoso, no entanto, consegue escapar das sombras e fica maravilhado com a luz solar. Voltando para as sombras da caverna encontrará uma dificuldade insuperável para convencer os cavernosos do erro em que se encontram mergulhados: a luz está lá fora e não aqui.

       Há quem diga que nos dias de hoje muitos são os panoramas da ponte em que vivemos. Múltiplos são os fundos de nossas cavernas. Alguns deles são as imagens eletrônicas emitidas pelos aparelhos de TV e pelos celulares. Ou seja, hoje há mais cavernas e sombras do que na época de Platão e de Arthur Miller.

        Tenho compromisso pessoal de rever novamente aquele panorama visto da minha ponte cujas imagens habitam até hoje a minha memória.

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