Namoradas perdidas

001

Luiz Roberto Benatti

 

ele quis saber de mim

qual seria  a melhor metáfora

para uma antiga namorada

que volta e meia

subia por um balde

do fundo do poço da lembrança

e que vestida com capricho

dera-lhe um beijo na face

e um livro de Simone Beauvoir

antes que a chuva despencasse

e eles, aflitos, corressem para debaixo da ponte

olharam-se um para o outro

sapatos enlameados

e o receio de ser vistos por algum passante

que pudesse pensar mal do encontro inusitado

e da chuva torrencial

foi então que me ocorreu

que aquela lembrança tão doce

e incômoda era como espinho de peixe

entalado na garganta

agora meio agitado folheio Aristóteles

para conferir  se a minha metáfora

traduzia bem um encontro molhado

ou se o grego era apenas um doido de pedra

incapaz de ir para a guerra

ou comer sem se lambuzar

em molho de tomate e queijo de búfala

quem sabe da Grécia é o Tempo

que se perdeu no chão do Lamento

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