Hedy Lamarr, minha primeira namorada

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Luiz Roberto Benatti

 

Eu a vi em Sansão e Dalila, no Cineteatro República, da Praça da República, e por um tempo demasiado longo ela povoou o meu imaginário: ia comigo ao grupo escolar da Rua Maranhão com a Cuiabá, e comigo voltava para a praça, onde eu morava no prédio  da loja do R$ 1,99. Ela usava sandália de tiras que iam se entrançando até um pouco abaixo do joelho e minha professora, Naim Além, usava a mesma sandália. A sandália voltou a ser usada, mas a minha Dalila estaria hoje com 100 anos. O filme de Cecil B. De Mille foi lançado em 1949, mas desde 1935 o diretor nele pensava, na elaboração de  cujo roteiro havia contratado o historiador Harold Lamb. Imagine o leitor que, além da beleza estonteante, Lamarr foi cientista: os bebuns deveriam pendurar na parede de seus quartos solitários o retrato da atriz porque foi ela quem inventou o Alka-seltzer. Era vienense e durante a Segunda guerra desenvolveu projetos de controle de torpedos por rádio. Ela odiava os nazistas, em especial o insano Adolf Hitler. Dela, disse alguém que ela era “warm, soft, cunning with a dangerous capacity for vengeance”: calorosa, gentil, astuta e com perigosa habilidade para se vingar. A mim, ela tão-somente deu forma inesquecível  às minhas mais remotas fantasias amorosas.

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