As núpcias do Céu e o Inferno

001

Luiz Roberto Benatti

 

Em terra de gente que enxerga sem óculos, só o míope poderá apontar as falhas do administrador.

O crítico sonha com  a cidade de Deus na Terra, o administrador zomba dos  buracos por trás da  peneira do asfalto. O crítico mora na Utopia, o administrador na distopia.

O exercício da censura é temporário, mas  o da crítica se renova.

A força do censor é baloiçante: ele se escora no ombro do rei ou no ditador, ambos efêmeros.

O censor é personagem de teatro: seus símbolos são a boca tapada o a tesoura enferrujada.

O censor teme a execração pública das mazelas morais do reino. O reino não sabe mais qual a utilidade da ponte levadiça nem por que os miseráveis têm boca s sonham com comida e caravelas.

O censor contrata um vigia para vigiar quem o desmascara e quarenta mascarados para vigiar o vigia.

O maior censor do século XX foi Joseph Goebbles que instruiu seu dentista, no dia 1º. de maio de 1945, para injetar morfina e cianeto nos filhos. À noite, ele se matou com a mulher Magda nos jardins da chancelaria.

As núpcias do crítico e o administrador são desfeitas na antevéspera. O inventor da Caixa de Pandora esgotou todo o imaginário e ignora os meios para se  fabricar  novos e desconhecidos males.

Por inveja de Thomas Edison, Franklin inventou o pára-raios.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s