Nada a ver com os corvos

Sun Wenbo/Benatti

no começo havia  apenas um, mas depois de um tempo eles formaram  um bando

a bater  as asas

à  minha frente – a escuridão a varrer  o céu

eu me  pareço com quem assistiu a  uma peça, um drama da natureza

um corvo solitário  é um mistério, um bando de corvos é o medo

os seres humanos não podem escapar

do passado, escapar da consciência – os corvos

que voam dentro de mim: feitiçaria, profecia, despertar proibido

sinto-me limitado: acredito no que não entendo

confio no que não acredito, como país

construído em  bases erradas que criam  um falso inimigo

tenho saudade dos dias de juventude, a prisão  da linguagem

ainda a ser erguida – apenas a  imaginar,a  lembrar –

e os corvos negros e a neve branca oposta, exceto um,

uma beleza, um paradoxo no paraíso

significava ser eterno – agora eu olho e os corvos se tornam ficção

a voar para longe de mim – eles não estão realmente aqui, a circular no velho  silêncio

eles não estão realmente aqui, com suas moradas no alto, nos  telhados de vidro

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