Restaurante Golpe de Estado: aberto dia e noite

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Luiz Roberto Benatti

 

Frequentado por pessoas emplumadas, perfumadas e com a vida ganha, apesar do medo que têm de perder unhas e carretéis. Costumam arrotar à mesa e  ofender a distinta genitora do garçom e, depois da 6ª. dose de uísque envelhecido em tonéis de saibro e areia grossa, saem de quatro carregados por três marrudos guarda-costas cedidos pelo príncipe Francisco Franco. Frequentam a primeira e a última missa do domingo de Páscoa depois de terem comido todos os ovos dos netos. São delicados e usam caneta Sheaffer. Entre 2 e 3 da madrugada, vêem filmes pornôs em canais chineses. Prometem um mundo melhor para poucos e bons. Em Paris, frequentam o Restaurant Coup d’Etat e pedem sempre os mesmos pratos, desde 1933, quando viviam na Alemanha: Marat dans la baignoise (Marat na banheira), Vargas à la mode des pyjamas s’ennuie (Vargas a moda do pijama esburacado) e Tiradentes  dans le gibet et le passé diabolique (Tiradentes na forca e mal passado). Acompanhado da terceira ex-amante, você só pagará 50% da conta.

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