Diário dos dias de chuva de outrora

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Luiz Roberto Benatti

 

Quem chapinha em poça d’água de chuva? usa galocha, capa de gabardine ou aquele elegantíssimo chapéu do Humphrey Bogart em Casablanca? Você já botou bolas de papel de jornal no sapato embolorado ou o levou para o borralho do fogão de lenha? Na viagem de ontem à noite, sob chuva torrencial, seu pai precisou acorrentar os pneus do Ford? Diante dos gritos da criançada, e para exorcizar raios e trovões, sua mãe queimou palmas bentas de Santa Rita? Mudaram as chuvas ou mudamos nós? Em kanji, chove dentro do ideograma de chuva. Noutros tempos, podia chover antes ou depois da missa, ou durante a refeição. Você podia até mesmo namorar sob a chuva, abrigado com a garota em sombrinha ou guarda-chuva, num banco do Parque das Américas. Talvez ainda chova no Japão de nossos dias como chovia aqui antigamente, quando você podia ouvir o barulho da chuva. No centro da Praça da República havia um pluviômetro. Katsushika Hokusai, o velho louco, desenhou ou pintou cenas sob  chuva inúmeras vezes e o grande poeta norte-americano Carl Sandburgh escreveu Horses and men in rain/ Cavalos e homens na chuva:Let us write of olden, golden days and hunters of the Holy Grail and men called “knights” riding horses in the rain, in the cold frozen rain for ladies they loved: Permita-nos escrever acerca dos velhos e dourados dias e dos caçadores do Cálice Sagrado e dos homens chamados “cavaleiros” montados em  seus cavalos à chuva, sob a chuva enregelada, em nome de damas que eles amavam. umphre

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