Cidadão Keynes

Luiz Roberto Benatti

O correspondente do jornal espanhol El país diagnosticou  na política econômica brasileira, por ocasião da visita de Dilma Rousseff,  tanto o vigor quanto a recuperação de grande massa de pobres que, de FHC para cá, passaram a comer com regularidade, a viajar, frequentar supermercado, a tal ponto que, de acordo com a fofoca, muitas criaturas das classes A e B, incomodadas, querem, de novo, estar acima do bem, o mal e o caviar, razão por que exigem produtos caros e diferenciados que lhes devolvam  notoriedade e a certeza de que continuarão  a frequentar os jardins do Olimpo sem concorrentes. Se, de um lado, ninguém tolera  por  tempo prolongado ser miserável, a verdade é que não basta ser rico sem ter a certeza de que você é a mais ensaboada e perfumada das criaturas. Ninguém quer ser igual aos antigos desiguais. Ir ao supermercado é uma coisa, outra, cheia de prazeres sensuais, é avaliar que o seu carrinho tem o dobro ou o triplo do do vizinho. O jornalista espanhol denominou o milagre como resultado do  uso competente de  políticas keynesianas. Keynes? Britânico elegante e craque em política econômica para épocas de grande crise, como a Grande guerra ou a depressão norte-americana dos 30s, Keynes conhecia de cor e salteado como servir-se sem vexame na mesa dos afortunados, papear por horas seguidas com refinados intelectuais como Eliot ou Virgínia Woolf. Foi de uma geração especial, dentre os quais fez parte Bertrand Russell, na leitura de cujas memórias você poderá devassar as cortinas  das salas de estar ou alcovas desses homens e mulheres que cultivaram as artes elevadas e os grandes prazeres refinados, muitas décadas antes que tais refinamentos   fossem assimilados pelos do andar de baixo.

Se os dramaturgos da Globo não trocarem as vielas da favela pelas praias particulares continuarão a perder público. Em tudo o que fazem os britânicos são discretos e, quando se riem, o fazem sem exibir os dentes na boca escancarada. Keynes apaixonou-se pela bailarina russa Lopokova e, depois, por Sprott.Sprott foi um homossexual que o congênere nacional rejeita. Por essa e por outras, vê-se que o que você chama de moderno significa apenas que, até outro dia, você pintava de branco a casa, como nos dias que correm você usa profusos amarelos e vermelhos berrantes,  como os espanhóis ou os ingleses o faziam há mais de cem anos. A homossexualidade masculina ou feminina é velha pra boné, todavia a questão é como tratá-la com refinamento e bom gosto, longe do cemitério ou da igreja. Os refinados não são góticos. [Nas imagens, Lopokova e Sprott]

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