O paradoxo de Van Gogh

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Luiz Roberto Benatti

A Noite estrelada de Van Gogh não foi pintada à noite, mas de manhã.

Ele não a pintou na sala duma academia de Arte mas no hospício de Arles, depois de se internar, ao  ter cortado o lóbulo duma das orelhas e a ter enviado à namorada, prostituta por quem o pintor se apaixonou.

A Lua da tela não é a Lua mas a estrela Vênus. Não nutro sobre as coisas certezas absolutas, disse ele, mas as estrelas provocam em mim a vontade de sonhar. O holandês era mais são que os sãos e mais doido que os doidos varridos. Penso com frequência, ele escreveu, que a noite tem cores mais exuberantes  que o dia. Kurozawa mostrou que, postas umas ao lado das outras, as telas de Van Gogh organizam-se como um microcosmo fabuloso por cujas veredas você pode caminhar, de Catanduva, cidade inefável, até Amsterdã e sonhar com o amanhã.Em Catanduva sonhamos com o Ontem.

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