Eduardo

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John Mateer

Disseste o meu nome na Biblioteca Joanina, a sala cercando-nos, as catacumbas em talha dourada de uma nau a afundar. Segundo a minha tradutorano preâmbulo da leitura dos teus poemas invejaste-me:
Ele é um africano branco; eu sou um desterrado. Imaginei-te perguntando quantos escravos foram transmutados em enfeites dourados enrolando-se, barrocos e serpentinos, à nossa volta e cuja pele foi usada para encadernar os livros. Mal tínhamos falado e no entanto já éramos camaradas, partilhando memórias: quis perguntar se em Lourenço Marques alguma vez conheceste Mia Couto.
Ou aquele panda tropical, Malangatana? Ou, talvez, Wopko Jensma?
(Aquela sombra albina cuja algaravia era um blues, cuja saudade continua a ser um livro de fotos d’O Poeta desaparecendo gradualmente na praia dita Maputo.) Disseste JOHN MATEER para a escuridão da Biblioteca Joanina e estiveste mais perto do meu nome do que alguma vez estarei.

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