A inesperada virtude da ignorância

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Luiz Roberto Benatti

O Facebook nos dá a plena certeza de que que, se alguém  pensa como eu, não poderei estar errado, porque o erro está encravado num buraco escuro, só e de cócoras para o vazio. Saiba, no entanto, que as tais redes sociais são mais antigas que chapéu de pescador: no 32, a classe paulistana endinheirada comprou briga  para o sapateiro, o maquinista de estrada de ferro, o padeiro e o tipógrafo e  convenceu os pobres moços  de que deveriam morrer em nome do orgulho paulistano. Vargas passou com tanque sobre a bruaca dos coronéis.As madames cosiam as fardas na máquina Singer: dedinho, pezinho. No 64, as madames foram para a rua com poderosos terços à mão capaz de abalar as estruturas do Kremlin. Agora, elas compartilham as mensagens criptografadass da central de produção do veneno de cada dia e o fazem em nome do perigo que as belas netas correm nas mãos dos comunas e da cor vermelha. Nossa ignorância é incomensurável.Nosso desmedido amor ao espelho não poderá ser curado.

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