O Brasil inzoneiro de Ary Barroso desmanchou-se na areia  do tempo

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Luiz Roberto Benatti

Mineiro de Ubá, filho de promotor público e sobrinho de ministro de Estado, Ary Barroso morreu de cirrose hepática em 1964. Não seria talvez muito forçado dizer que os dois fatos – sua morte e a assunção das castas militares ao poder – fecharam as cortinas dum País que a moçada dos dias que correm desconhece, quer dizer, a combinação da boêmia competente com  a capacidade de ver e transformar em letra de música o visto e sonhar alto, no espaço do possível, e levar o Brasil para o mundo largo, um pouco como Shakespeare nA tempestade em que a Língua inglesa cruza o oceano para aportar na América. O encontro de Ary Barroso e Walt Disney foi memorável: Zé Carioca e Cármen Miranda jamais pensaram em guardar carne bovina nos travesseiros de ouro de Wall Street. O Brasil era singelo e natural e não mentia nem a pau. Depois de alguns percalços, Ary concluiu o curso de Direito: os compositores tinham bagagem  universitária e não falavam caipirês desconjuntado. Como, diria o meu caro amigo Édison Sutter, poderia um moço entender palavras como quimera ou esfuma, se eles sonham baixo e se afogam em água sem brancura?Inzoneiro? Com a reatualização do patrulhamento ideológico o negro não pode mais ser capaz dum belo gingado, mas somente  ficar desempregado.

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