Natal em Munique, leishmaniose em CTV

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Luiz Roberto Benatti

Nesta foto preciosa e só há pouco revelada, Hitler e alguns de seus generais preparam-se para comemorar com pompa e circunstância, em Munique, o Natal de 1941.Pompa, sim, mas a circunstância é de ar de velório porque 6 meses antes o poderoso exército alemão, ao dar cumprimento aos planos da Operação Barbarossa, invadira a União Soviética.O fogo da metralha foi infernal e, em outubro, os alemães cercaram Leningrado e Sebastopol. Muito tempo depois, foi o que se viu: quase que em frangalhos, os russos venceram e a Alemanha foi à breca. Talvez Hitler vivesse entre Temor e Esperança, povoados fundamentados na Loucura. Alguém de olho míope e cuca cheia de ruído e confusão poderia perguntar-se o que é que CTV teria a ver com as velas acesas do natal nazista e a preocupação desses senhores do mundo. Tínhamos tudo a ver com o momentâneo silêncio dessas furibundas criaturas, porque os judeus morriam como moscas nos campos de concentração e a Liberdade, desde 1939, estava em sursis. Quanto a nós, primeiro com o prefeito Otávio Gouveia, depois com João Lunardelli, de tudo fazíamos para não atolar, ainda mais, e até o joelho, a bota de cano alto no vasto lodaçal da vila e redondezas, cuja mata nativa há muito tempo fora devastada dela tendo sobrado apenas capoeiras e tufos de vegetação mirrada.Ao erguer os andaimes do processo civilizatório, o homem enclausura a natureza. Por isso, os pesquisadores Coutinho e Barretto, num trabalho intitulado “Dados bionômicos sobre o ‘Phlebotomus fischeri’”, apontaram para a elevada incidência em CTV da mosca transmissora da leishmaniose visceral canina. Predador,o mosquito injeta saliva anticoagulante no cão que, além de padecer muito sofrimento, torna-se vetor da doença para os humanos. Homem/natureza/doença/guerra/Capital predatório/sofrimento animal e humano. Como um pouco de música não faz mal a ninguém, em 7 de abril e, logo a seguir, em 20 de junho de 1941, nasceram Sérgia Aparecida e Maria do Carmo, as futuras primas Miranda, que, em 1955, começaram a cantar, “como gente grande”, num programa infantil de muito sucesso na antiga ZYD-5 Rádio difusora de Catanduva.

 

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