O  VELHO  PROFESSOR  II

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Elko Perissinotti

Luiz Roberto Benatti  

 

 

Perguntei-lhe pelos novos tempos

se nos tornamos mais sábios na provecta idade

Não; resta alguma esperança

– respondeu.

 

Perguntei-lhe se ainda deveríamos prosseguir

na interminável balela do Bem e do Mal

Pouco importa, se a Sabedoria sobrevive

– respondeu.

 

Perguntei-lhe sobre a felicidade de nossos filhos e netos

Lich, mehr licht (Luz, mais luz!)

–  respondeu como Goethe.

 

Perguntei-lhe pelas fotos, selfies e e-mails

em sua escrivaninha

Mortíferas solidões fugazes; o resto é sempre silêncio

– respondeu como Hamlet.

 

Perguntei-lhe pelos seus momentos de felicidade

Trabalho; raramente alguns amigos

– respondeu.

 

Perguntei-lhe, então, pelos amigos, se de fato existiam

Na verdade, não, mas há muitas pessoas agradáveis

que vêm e que partem; algumas lágrimas para poucas

– respondeu.

 

Perguntei-lhe pela saúde e disposição

O peso da Vida entortou-me a coluna, não posso mais fumar, nem beber e nem mesmo jogar cartas; a catarata traz-me sombras

Então, finjo que também sou surdo

– respondeu, sonolento.

 

Perguntei-lhe pela nova política

e ele  torceu o nariz

o pior da nova política, disse-me ele

-e que os peixes pequenos querem ser tubarões

E os tubarões administram os mares

 

Perguntei-lhe pela Verdade

E ele enfiou-se embaixo dos lençóis

Sócrates devia um galo a Asclépio

enquanto nós devemos quase tudo ao Amanhã

 

 

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