A questão do tema em pintura  

Luiz Roberto Benatti

 As diferentes  manifestações de Arte deveriam ser filtradas por programas de reeducação dos sentidos, bem conduzidos, de tal modo que o educador, ao observar a criança ou o adolescente, pudesse dar-se conta tanto de seu interesse na exposição, quanto do  entendimento do que está sendo dito. A par do que seja, de fato, a Arte de nossos dias, o educador, no primeiro encontro, deveria propor como assunto da aula os temas escolhidos pelo artista, com a necessária distinção entre tema elevado e tema rebaixado. Surpreso, ele vai-se dar conta de que nas garatujas da escola ou da casa a criança rabisca no papel os objetos à sua volta, coisas do dia-a-dia ou da rua independentemente de saber se estariam ou não num quadro revestido de “nobreza”. Por que, p.ex., deveria o pintor contemporâneo esboçar no quadro um tacho de cobre ou uma ânfora e não o tênis? A resposta para a pergunta é que esse pintor educou seu olhar para incorporar à tela tacho de cobre ou ânfora e não um par de tênis, porque o tênis é um objeto rebaixado. Rebaixado, apesar do preço; rebaixado, apesar de os tachos e as ânforas não fazerem mais parte do mundo em que vivemos. O Museu pró-puer, programa de Arte da Pinacoteca/Castelinho,  gostaria de trazer de volta para o mundo contemporâneo crianças e adultos.

001Arikha Avigdor pintou suas  meias de algodão numa tela bastante singela.  Deveríamos mostrar aos novos alunos que, treinados, os elefantes tornam-se muito bons pintores e que, graças às suas circunvoluções cerebrais, eles não são figurativos, apesar de as suas “abstrações” lembrarem objetos do dia-a-dia, como as meias de Avigdor. Noutras ocasiões, o elefante-pintor parece interrogar-se sobre o futuro.As pinturas Bless my cotton socks/Abençoe minhas meias de algodão e There’s no way out/Não há saída exemplificam a diversidade dos temas.

 

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Van Gogh pintou as botinas inúmeras vezes, porque elas faziam parte de seu mundo, o mundo dum pintor holandês que, fosse Verão ou Inverno, saía do quarto para reproduzir coisas da Natureza. As botinas são partes significativas da natureza humana.

 

 

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Charles Chaplin tinha nas botinas marca de identidade reconhecida até mesmo por nativos da África quando seus filmes eram projetados no pátio duma  aldeia, à noite. Na comédia A corrida do ouro, Chaplin, faminto, numa cabana muito frágil construída no gelo, devora as botinas feitas de berinjela e os pregos feitos de nabo.

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