LGBTs

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Luiz Roberto Benatti

 

Eles ou elas estão no mundo e dele fazem parte. Escolha seu grau de miopia ou limpe com água boricada a íris três vezes ao dia. Não existem para que você os aceite nem eles/elas estão aflitos pelo fato de ter de aceitá-lo ou recusá-lo. O mundo da cultura abocanhou o osso do hedonismo e não vai soltá-lo tão cedo. São as coisas o que são, de fato,  e não o que você, por acaso, gostaria que fossem. Tem preferência por nomes? Escolha o seu: shemale, tranny, gay, hermaphrodite, heshe, drag queen ,ou então boiola, bicha, gazela, viado, caubói de jibóia. Eles/elas querem ser o que são, razão por que a leitura que deles fez Sigmund Freud – a bissexualidade original dos seres, de tal modo que a zona limítrofe entre macho e fêmea foi sempre nebulosa e coberta por fog espesso – poderá parecer-lhes fora de moda ou caduca. Identidade quer dizer “aquilo que é próprio de cada um”. Para quem  goste de enveredar por outros caminhos, os literários, digamos, as dicas poderão interessar. Inteire-se de algumas: em hebraico, adão/adamah quer dizer “aquele que foi feito do pó da terra”. Por que razão teria o Demiurgo feito Eva/Havvah (em hebraico, “a portadora da vida”) de uma das costelas do companheiro? Um dos sentidos de a-dam é “barragem, represa ou dique”, dando a entender que nele se guarda a semente que, depositada na concha/vulva de Eva, ali vai germinar-se  como vida que se prolonga. Se a-dam foi feito do pó da terra e Eva de uma de suas costelas, conclui-se que a criatura portadora da vida também terá sido feita da mesma matéria, qual seja, o húmus de que derivou a palavra “humano”. Semelhanças  entre os dois seres existe, mas a questão intrigante das diferenças põe nossa cabeça num rodamoinho igual ao de O mágico de Oz.Fora do divã, ninguém quer saber o que é disforia de gênero.  Todavia, os machos, valentões, beberrões, belicistas, transformaram-se em criaturas crepusculares, figuras num museu de cera.   Novas progênies  avançam  por outras vertentes de conformação em tudo e por tudo diferentes das de Humphrey Bogart e Ingrid Bergman em Casablanca que neste ano apaga 70 velinhas. Sexo e folha de parreira não formam par, porque cada um de nós exibe o que tem ou o que poderia ter SE. SE/xo? Xô, sex!

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