A barafunda na produção do simbólico

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Luiz Roberto Benatti

A produção literária nacional foi intensa do Modernismo até meados dos anos 60os ou pouco mais. Depois disso, encolheu-se tanto, que dela não ouvimos  se não os gritos histéricos da novela de televisão. Por qualquer motivo, os personagens erguem a voz, arrumam o cabelo, mexem as mãos: porque lhes faltam diálogo lógico e roteiro. A novela de televisão não imita mais o real nem dele parte para se oferecer como releitura da vida nacional de todos os dias.O sujeito está no mato e sem cachorro.  É como se quase tudo se limitasse ao camarim: a cabeleira procura as mãos que procuram as torções de  boca que buscam os dentes alvos que correm atrás duma  fala mole. Alfaiate e costureira trabalham incansavelmente porque o dramaturgo ausentou-se há algum tempo. As portas servem apenas para oferecer à personagem um caminhozinho entre a coxia e o proscênio. Um entra, outro sai e, no entretempo, as pessoas comem. Com a Netflyx à mão, felizmente, podemos conferir as diferenças: a personagem passa duas ou três temporadas com a mesma roupa, quase sempre em silêncio, olhar baixo pensativo, diálogos investigativos. Assista, por exemplo, à série La trêve/A trégua. Já não podemos mais pensar o País pelo simbólico.

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