O último vôo de Vicente Celso Quaglia

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Luiz Roberto Benatti

 

Fui aluno do velho Barão do Rio Branco nos tempos em que ele lecionou na escola Normal: falava com polidez, voz relativamente baixa, corpo magro e bem aprumado e uma elegância inigualável. Mais tarde fui seu colega, aluno e companheiro de ofício & cruz no episódio de Lins. Até mesmo no quartel, ele não pôs de lado a finesse e o aprumo no uso das vestes. Seu guarda-roupa reduplicava a França do pós-guerra. Era amigo de Antônio Cãndido: quando resolvemos bebemorar o Dia de Bloom na Livraria Contraponto, ele recebeu do prof. Cândido simpático cartão no qual, com letra caprichada, registrou-se que nossa livraria era ousada no gesto de lembrar o grande irlandês James Joyce. Quaglia discorreu demoradamente sobre o Ulisses, assim como, mais tarde, falou de Samuel Beckett no pátio da Estação Cultura. Nos anos de chumbo da FAFICA localizada no Colegião, ele promoveu um  encontro sobre Herbert Marcuse. Naqueles dias, por recomendação sua, fui à USP/Maria Antônia para convidar Florestan Fernandes para falar em Catanduva. Ele pertencia a uma Catanduva que não existe mais.  Quaglia tinha a delicadeza da codorna que deu nome aos seus ancestrais do Piemonte e da Ligúria.

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