CTV,  granizo, comunistas e fascistas

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Luiz Roberto Benatti

Encontrei no site de Nélson Bassanetti esta foto de 1922 dum trecho da Rua Brasil, molhado de água da chuva e parcialmente coberto de granizo. A neblina arma-se como cortina que encobre a segunda estação da EFA,  porque a primeira fora queimada pelos moços em  1919. Os rapazes desceram a Rua Brasil, antiga Rua 3, e, pulmões abertos, cantaram A marselhesa na Língua original.Um deles levava uma velha banana de dinamite na mão.A engenhoca não funcionou e os rapazes, Aristides Procópio de Oliveira à frente, puseram fogo no prédio.A seguir, botaram fogo no pontilhão de madeira da Rua 7. Assim,num mesmo dia, torramos a República nascente (Rua Rio de Janeiro) e os laços fragílimos com Portugal (7 de setembro). O granizo é fenômeno da chamada natureza física e ele  não acrescentaria ao fato político nenhum z  não fosse a ação esperta do capitalista que dele faz uso e abuso para aumentar o preço da batata e a carne escassa. O cavalo à esquerda mostra que a vila era apenas uma clareira na vasta zona rural.Um pouco acima do telhado muito baixo da EFA, você avista a zona rural. Os italianos estavam por ali desde os últimos anos do século XIX e, como sempre, divididos em dois magotes: fascistas e comunistas. No caso do Clube dos italianos da Rua Alagoas venceu o primeiro magote que lhe impôs o nome de Gabriele D’Annunzio, amigo de Benito Mussolini. No dia 28 de outubro de 1922, granizo aqui, tempo quente na Itália, Mussolini marchou para Roma, sacramentado pelo titubeante e encanecido rei Vitorio Emanuelle III. Em 1930, inspirado talvez no italiano, Getúlio Vargas marchou para o Rio de Janeiro e deu o golpe de Estado. Vargas e Mussolini levaram ao fim a democracia liberal, expressão da República, pela qual Aristides Procópio e Carlos Machado lutaram. Nesses dias, leninistas e trotskistas fundaram no RJ o Partido Comunista Brasileiro. 1922 foi também o ano da revolta dos tenentes no forte de Copacabana, cujos integrantes, um pouco depois, aderiram a Luiz Carlos Prestes na marcha pelo País. Era o tempo das marchas e contramarchas, da mobilização das idéias. Catanduva, pobre, desfeita, mofina, conferia na rua o tamanho das pedras de granizo.Muito mais espantados teriam ficado se a pedra de granizo de 47,6 cm de circunferência por 18 cm de diâmetro, caída em Nebraska, nos EUA, também fosse uma das de CTV. Nos EUA tudo é muito grande! No meio da rua, o rapaz parece perguntar-se como  é que os céus teimam em atirar  contra as nossas cabeças pedras de gelo se nossas cucas estão sempre frescas.

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