Queria que estivéssemos sós

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Luiz Roberto Benatti

 

queria que estivéssemos sós

água e céu num sampan sem luxo

sem geografia ou história

beethoven como lembrança de alguns acordes

o seu olhar estaria tatuado num presente

que se estenderia como imensa lona de circo

a trapezista no alto o palhaço de calças largas

à noite meio às escondidas levaríamos o elefante à tina de água

tudo configurado como pequenas narrativas descompromissadas com danos & perdas, contabilidade e imposto de renda

quando você tivesse fome, eu cozinharia a corvina pescada na véspera no minúsculo fogareiro do barqueiro

quando o sampan alcançasse Hanói

acenderíamos uma vela branca para os mortos

nos campos de arroz

outra negra para o Capital triturado pela Loucura

cada vez naus parecida com um obrigatório dialeto universal

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