Onde foram parar os grandes cineastas brasileiros?

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Luiz Roberto Benatti

Luís Sérgio Person morreu cedo. Ele fez O caso dos irmãos Naves, cuja brutalidade exibia as vísceras sangrentas da ditadura militar que tinha o   dedo polegar  na tortura. Depois, Person fez São Paulo S.A., no qual Valmor Chagas fez  o protagonista Carlos. O filme tinha a cara da cidade e trazia para o primeiro plano o ruído da indústria automobilística recém-lançada. O PB remetia a película a outras, congeniais, do realismo italiano ou da nouvelle vague francesa. O protagonista era um moço de classe média que,depois de levar vida dissipada, aproximou-se dum empresário enriquecido. Naqueles dias, “alienado” era expressão sartriana indicativa de completo desinteresse por questões politicossociais. Hoje é o corriqueiro. É possível que o espectador dos dias que correm estranhe o ar pacato da  São Paulo dos 60s comparado com o da  metrópole como a vemos hoje. Digamos que a São Paulo de Person tenha de ser fisicamente resgatada por ação arqueológica para que você entenda a mais recente. Faltam-nos Person e Valmor Chagas. [No fotograma, Valmor e Eva Vilma]

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