Jack London escreveu Martin Eden que recriou Noodles/De Niro que inspirou  Woody Allen

[Na primeira imagem, Jack London no Alasca]

Luiz Roberto Benatti

Em Once upon a time in America/Era uma vez na América, Robert De Niro, na figura do adolescente Noodles, vai à privada e, pela janelinha, traz para dentro o romance de Jack London, Martin Eden, preso a um barbante. Ele o lia às escondidas porque queria ser escritor, como Eden,  mas também em razão da paixão de Martin por Ruth Morse, de extração pequeno-burguesa, enquanto que o pretendente procedia da classe proletária. A relação amorosa não evolui e, no final, Martin se suicida. Não se iludam, porém: o romance continua a ser lido pela moçada da América, enquanto que nós,quando muito, lemos The call of the wild, de London. O tipo do romance é bem um daqueles de que sempre carecemos, ainda que, pela existência de Amar, verbo intransitivo, de Mário de Andrade, não tivéssemos chegado  à penúria absoluta. Falta-nos o romance de formação do adolescente. Martin Eden propicia a Noodles o contorno da emersão da sexualidade através do fenestramento da prima dançarina cuja nudez o extasiou. Escassez de recursos, sensualidade, domínio da arte de escrever, publicação, gosto pelo socialismo – os temas e subtemas continuam atuais. Woody Allen entra na história porque é certo de que ele vibrou com o filme Once upon a time, em particular com a  ponte de Manhattan que em ambos os  filmes aparece como ícone.

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