Jason Bourne saiu da clausura onde viveu Gregor Samza, com uma maçã às costas

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Luiz Roberto Benatti

Jason Bourne não tem tempo ou tranquilidade o bastante para enamorar-se de sua identidade. Com maçã enterrada às costas e revólver no bolso do casaco, fôlego na altura dos ombros e olhos que esquadrinham os 60 lados duma rua movimentada, ele deixou a clausura do solitário Samza para se perder e reencontrar-se entre NY, Chicago e o largo mundo europeu. Ele consulta trecho dum mapa rodoviário num carro em alta velocidade, enquanto o mercenário pago pelo adversário tenta alvejá-lo. Os aparelhos de Estado fabricam o companheiro e o inimigo e talvez  se riam do aspecto duma maçã apodrecida, mas o mundo da Cultura continua a sustentar-se no herói surrado, o único que nos mostra quais são os caminhos que não levam a parte alguma, sem qualquer sinal de esperança.

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