Um homem baratinado

001.png

Luiz Roberto Benatti

 

O instante da fotografia não se repete jamais.O fotógrafo disparou o obturador para registrar, de modo congenial, o momento em que Jânio Quadros não soube para onde ir nem por que deveria fazê-lo.O melhor teria sido não estar ali,não ter acordado naquele dia. Ter, enfim,permanecido em casa de pijama.Caso você entenda que a cabeça de JQ olha para o Oeste, terá de admitir que o pé esquerdo pretende encaminhá-lo para o Leste.O olho e os braços, provavelmente, estarão de acordo quanto à direção a seguir, ao contrário dos pés: o direito aponta para o Sudoeste.

Se Jânio fosse uma bússola, teria deixado os chineses enlouquecidos. Ele contou sempre com fã clube numeroso.As pessoas adoravam-lhe o cabelo desalinhado, o terno funerário e as caspas. Mais do que isso: admiravam-lhe o uso pernóstico da Língua portuguesa que o leigo tem na conta da mais difícil do mundo.JQ foi um Ruy Barbosa com uma binga enferrujada no bolso do paletó.Quem o inventou foi Mazzaroppi e os que o sorveram como café amargo até o último gole foram os coronéis da lavoura, de ressaca pelo suicídio de Getúlio Vargas.No dia 19 de agosto de 1961, Jânio condecorou Ernesto Che Guevara que a moçada leva o peito, na testa e no carango.Cada um tem a religião que merece.Era um gesto de reconhecimento por ter o cubano libertado da prisão 20 sacerdotes condenados ao fuzilamento. Fidel mandava pregar fogo e Che perdoava. Interessante.Todavia, as coisas ficaram tumultuadas.O seu candidato sabe para onde vai?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s