A ARMA HOMICIDA

Juan Carlos Friebe/Benatti


como a pedra escolhida ao acaso  não sabe que  é a pedra do monyr, mas a própria morte

como a pedra não imagina que servirá uma mão ignorante, uma mão infeliz, uma mão covarde

as coisas, inocentes, não conhecerão a que propósito  servem e a intenção  da mão que a usa

a pedra não sabe nem sabe o aço

a pedra nem percebe que se separou da rocha para ser como a outra que a mão escolhe para a funda e assobia para a ferida do cervo antes de lhe abrir o vemtre

ou como aquele  que uma mão despreocupada o impede  na praia de  mergulhar

um

                                                        dois

                                                                                                                                   três

para a corda
 
                                                   nas ondas

                                                                                              afundar no mar

Não. Essa pedra nunca saberá que veio dum aluvião, lambida pelo rio e a corrente do tempo para executar a  morte

nem a menina enterrada até o pescoço jamais saberá em seu tormento que sua mãe, dentre os membros do  bando, escolheu aquela pedra para matá-la

Parece uma faca de metal, como  faca que brilha, como adaga que se quebra, e tem lábio gelado,  para o pão e a ferida

como a pedra escolhida ao acaso  não sabe que não é um monte  de pedras, mas a própria morte

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