A memória das coisas: o edifício Drogadada, I

Luiz Roberto Benatti

Nos nichos de memória duma cidade há lugar para a orografia, a hidrografia, a botânica, o arruamento, a arquitetura, e isso implica em dizer que o desconhecimento dum dos aspectos provoca em nós dislalias ou lapsos verbais, de tal modo que, diante da falta, podemos agir como se a omissão não disfarçasse a perda da informação e esta a ignorância do que fomos ou somos. Munidos de anotação, poderemos caminhar a pé pela cidade num fim de semana e, diante do prédio da Drogadada, parcialmente encaixotado pelo Torra-torra, dizer ao filho: foi este o primeiro edifício assobradado de Catanduva e quem o edificou foi o Sr. Elias Gait, sírio desembarcado em Santos em 1929 e depois transferido para a Argentina, onde, em Córdoba, viveu como mascate. Mascate, meu filho, era nome de cidade árabe. Gait veio para CTV em 1933 e aqui permaneceu até 1951. Foi bastante festiva a inauguração da farmácia localizada no térreo, onde você podia comprar sorvete. Seu farmacêutico foi Lúcio Cacciari. O sr. Gait foi dono também da Casa Guerra, na Rua Brasil, 114. Ah, meu filho, antes que ele mandasse erguer o prédio, aqui se localizava o Coleginho, atual Colegião. Em Juiz de Fora, MG, na antiga Avenida Getúlio Vargas, há um edifício bastante semelhante ao do Sr. Gait. Você ficará deslumbrado pela semelhança.

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