Quantos de nós são farsantes?

Luiz Roberto Benatti

Esta peça não vai dar certo e o público porá fogo no teatro. Motivo? Um embrulho. Quem faz a pergunta também poderá ser farsante ou o verdadeiro farsante é um cara esperto que dirige a pergunta aos tontos para que o espectador fique de olho num olhar enviesado, numa face rubra ou numa torção de cabeça que lhe dê a resposta sobre quem é o farsante? Primeiro vamos botar ordem na bagunça. A segunda mulher, da esquerda para a direita, não tem rosto e, graças ao jogo de cena, ela deve ser apenas espectro da primeira ou então uma forma como essas de pudim ou torta, quer dizer, a primeira mulher, de repente, se lança dentro da forma, a coisa se fecha e a mulher que se atirou na forma desaparece. O resultado desses gestos é que, de quatro personagens, restarão apenas três. Assim, concluirá o diretor que ficará mais fácil identificar o farsante. A quarta mulher é muito parecida com a primeira de tal jeito que talvez uma delas seja apenas um clone da outra e a outra não exista. Agora a narrativa está ficando muito parecida com Matemática, Metafísica ou Cosmogonia. Como a peça tem de andar para frente, sobrou apenas o homem de andar esquisito e se ele tem esse andar esquisito então, ninguém irá contestar, é ele o farsante.A peça termina aqui.

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