Ainda não nos demos conta da importância de Flávio de Carvalho

Luiz Roberto Benatti

Temos de perguntar a uma dessas astrólogas de plantão o que houve com Flávio de Carvalho: elas poderiam talvez apoiar delirantes as explicações nos astros distantes e dizer-nos se ele foi tão rejeitado quanto admirado ou o contrário disso. Embora fosse 10 anos mais velho que o grande pintor Francis Bacon, poderiam elas estudar o mapa astral de ambos para definir as desrazões dos desencontros. Flávio diplomou-se em Engenharia civil e Artes na Universidade Durham e, pelos anos 30s, Bacon lá e Flávio cá, produziram obras excepcionais e muitas vezes bem assemelhadas. Em 1922, ele retornou ao Brasil e montou firma de construção. Inquieto, ele se dividia entre a prancheta e leituras de Freud e Frazer que os da terra liam pouco. Le Corbusier, antenado, o chamou de revolucionário romântico e em 1939 um  professor da USP indicou seu nome ao prêmio Nobel, mas quem o levou  foi o finlandês Franz Eemil Sillanpaa que não sabemos quem foi ou o que escreveu. Em 1950, ele participou da bienal de Veneza. Sua inquietude o levou a extrair muito ouro de qualidade de várias áreas de produção artística, tais como o teatro ou a cenografia. Ele gostava do que chamou de experimentos, um dos quais consistiu em se meter numa procissão religiosa e caminhar na direção contrária aos fiéis. Embora deteriorado, o complexo de casas da Avenida Lorena, em SP,  conserva-se moderno.

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