CTV: 1937-1938, livro sobre os italianos e a Tipografia Ipiranga dos Nobalbos

Luiz Roberto Benatti.

A configuração mais premente do mundo talvez seja a busca de identidade e  segurança e tal formato ou desenho repetiu-se inúmeras vezes, de tal modo que, nos dias que correm, o formigueiro humano continua a cruzar os oceanos à procura de paz e trabalho. Se a prolongada seca do último quartel do século XIX nos indicou o caminho do oceano, o jeito foi arrumar a matula e migrar-se para  dar-se conta de que, se as geografias são plurais, como cães e gatos podemos nos estranhar. Nascido na Espanha em 1914, o sr. Ramón Nobalbos chegou ao Brasil em 1923 e, dois anos depois, com a família, veio para CTV. Em 26, ele se engajou como tipógrafo do jornal O Heraldo, transferiu-se depois para a Folha do povo, trabalhou com Nesclar de Carvalho numa tipografia da Rua Minas Gerais, entre as ruas Brasil e Maranhão e, a seguir, no jornal A cidade de João Celestino da Costa. No dia 1º. de outubro de 1938, ele inaugurou as atividades da Tipografia Ipiranga. O sr. Nobalbos não conheceu nem poderia ter conhecido Antoni Tàpies, grande surrealista espanhol, nascido em 23, que, no quadro acima, mostra o que as ditaduras costumam fazer com os livros e a Cultura de modo geral. Um pouco antes, em 1937, Salvatore Pisani, num volume  totalmente desconhecido por nós, traçou a situação dos imigrantes italianos no Estado, no livro denominado Lo Stato di San Paolo. A obra tem o tom das coisas mais ou menos oficiais, mas procurou deixar assentado por onde andaram e o que fizeram os meridionais no País. Em 16 de janeiro de 1937, Alfredo Minervino foi empossado como prefeito, cujo mandato terminou em 30 de maio de 1938. Em 8 de julho, ele foi substituído por Otávio Gouveia, até 24 de maio de 1941, período de construção do Parque das Américas. De título significativo, A marcha, de Italo Zaccaro , OnofreCamargo Salles  e Waldemar Guanães, desde 15 de agosto de 1937, voltara  a circular para espalhar por clubes e bares as maluquices fascistas. As minhocas se recomendam nos córregos mas não na cuca das pessoas de bem.

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