CTV: 1948-1952, anos em que a cidade perde os traços rurais para urbanizar-se: 2º. Grupo escolar, asfalto, SESC, Hospital das clínicas/FAMECA, Carnaval, casamento na cadeia

Luiz Roberto Benatti.

Ocupada, talvez, com equilibrar-se na colina pedregosa das licitações, a prefeitura não se lembrou de comemorar em janeiro de 2018 o aniversário dos 70 anos da administração de Antônio Stocco, prefeito onímoda, quer dizer, uma criatura de olhar abrangente e bem articulado. Stocco tracionou a vila entaliscada no barreiro rural, deu-lhe o asfalto inaugural, pôs de pé faculdade de Medicina, cuidou do erário público como se a grana fosse sua e, de terno branco, esbaldou-se no Carnaval. As novas gerações ignoram quem tivesse sido Stocco, sua estreita ligação com o governador Adhemar de Barros e o ímpeto de realizador. Quem passa hoje pela Rua Maranhão, meio do quarteirão, à direita de quem sobe, numa residência sem muro, não sabe que ali ele residiu nem que Adhemar pernoitou e tomou refeição na casa.Prefeitos competentes são como fantasmas que atormentam o sono ruim dos que se alçam ao poder orientados apenas pelo odor do erário.  Nos dias histéricos das selfies, as pessoas se atropelam pelo direito de permanecer de pé, ovacionadas, por 36 segundos, mas o que fizeram ou mandaram fazer cabe numa caixa de fósforos. Em fevereiro, às vésperas de Momo, criou-se o slogan de a cidade ter o melhor  Carnaval do interior do País: os hotéis ficaram lotados com gente que veio de todos os recantos do Brasil. A cidade tinha mil e poucos analfabetos. No dia 1º. de maio, com discursos de Italo Zaccaro e Carlos Machado, que falou em nome dos ferroviários, o prefeito lembrou-se de comemorar o 38º. aniversário da chegada à cidade do primeiro comboio, cerimônia que ocorreu na Estação. Não tenho a mais mínima lembrança de que, de lá para cá, cerimônia semelhante viesse a ocorrer. É bom lembrar também que o Primeiro de Maio é data de fundamental importância no movimento socialista bem como  o nome  do seguimento da Rua Rio de Janeiro na direção da Maranhão. Em 1º. junho, a Associação comercial, industrial e agrícola  foi considerada por lei órgão de utilidade pública. Vivíamos dias de realismo econômico. O atual prédio da EFA foi inaugurado com a presença do governador no dia 5 de junho, no mesmo dia em que se inaugurou o 2º. Grupo escolar, da Rua Rio Grande do Sul, com biblioteca, gabinete dentário, cozinha, palco de festas, marcenaria e cooperativa. Antônio Stocco e Adhemar de Barros discursaram na ocasião. Em 21 de setembro, o sr. João Caparroz inaugurou  linha de transporte rodoviário até Rio Preto, Novo Horizonte, Marília, Pindorama, Marapuama, Bebedouro, Monte Alto e Lins. Era o tempo das jardineiras. Mais tarde, os Caparroz a venderam para a Luwasa. Numa cidade que mastiga pedra e cospe fogo por ter poucas indústrias e oferecer curta fieira de empregos, em 25 de fevereiro de 49, implantou-se a Indústria de adubos Catanduva, na velha estrada para Elisiário, cujo grupo de fundadores eram Francisco Agudo Romão, Antônio Stocco, Dácio Correia de Almeida, Manoel Martins Filho, dentre outros, composição que deveria iluminar o escuro bestunto dos eleitores para não eleger prefeitos que, na prefeitura, alavancam os próprios negócios esquecidos de que vivemos numa comunidade, cujos frutos do trabalho deverão ser partilhados. Stocco pensava assim,  os outros nem anssim. Em 62, essa indústria pioneira transformou-se na CIBEL, com Diolfen Martani e Túlio Tricca. Em 72, a companhia faturou 16 milhões de cruzeiros. Em 22 de junho de 50, a maestrina Giannella de Marco, com 6 anos de idade,  regeu, no Cine Bandeirantes, a Orquestra sinfônica. Nesse ano, o sr. Francisco Guzzo reuniu-se, no prédio da Associação comercial, com um grupo de cidadãos para instalar um hospital das clínicas, cujo resultado foi a criação da FAMECA. Da primeira diretoria, faziam parte, além do sr. Guzzo, Stocco, Gentil de Ângelo, Giordano Mestrinelli e o médico Attílio Cardarelli Cypriano. Outra lição a ser tirada do empreendimento é que o poder público nos dias que correm  manifesta  muitas vezes interesses impublicáveis além de ter perdido o senso das coisas comunitárias. Em 23 de fevereiro de 51, instalou-se o SESC, dirigido por Giordano Mestrinelli, grande educador e homem de idéias avançadas que, em 47, em sua escola de datilografia da Rua Minas Gerais, abrigou a Universidade do ar. No mês de março, o governador Lucas Nogueira Garcez autorizou o alargamento da bitola da EFA para 1,60 m. No dia 1º. de julho, na Amazonas, entre a Paraíba e a Pernambuco, asfaltou-se a primeira rua da cidade. O novo Aero-clube foi inaugurado em 28 de julho, com a presença de vários oficiais da Aeronáutica. Passamos a ser servidos pela Real.  A Orquestra Marajoara estreou nesse ano e dela faziam  parte, dentre outros, Rafael Aragon Dias, Renato Peres, Mário Silva, Antônio Garcia, Ulisses Bragante, Henrique Sapatieri, Gelásio Simões e José Asturiano, o crooner. Stocco encaminhou à Câmara projeto de construção duma estação rodoviária na Avenida São Domingos, entre as ruas 13 de Maio e Maranhão, de onde os passageiros poderiam ter avistado  as águas do futuro rio encaixotado. No final de 52, em novembro, Benedito da Silva, condenado por sedução, foi solto depois de ter-se casado na cadeia com a seduzida. O casório o salvou da condenação.

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