As bruxas do Macbeth e a feiticeira de Catanduva

Luiz Roberto Benatti.

Não sabemos como seria a grande tragédia de Shakespeare – Macbeth – sem as bruxas. A rigor, a peça sem elas não poderia sustentar-se. Suas falas algo estranhas se fazem um pouco com base na ambição de Macbeth, com floreios que apontam para a desgraça. Por que são elas três e não duas ou então como a nossa uma única apenas? No paganismo como no Cristianismo elas são três porque três são as figuras da Trindade. Embora pareça ser ele muito inteligente, há na consciência de Macbeth lapsos em que a perspicácia tropeçou. A desmedida ambição empana o claro raciocínio. A nossa feiticeira não é nem jamais será shakespeariana: ela é tão-somente a metonímia do que gostaríamos de ter sido: o lugar utópico do retorno, a água que dessedenta, o encontro do andarilho consigo mesmo. Como estamos diante de dias de construção dum pensamento que vê nas palavras algo que elas não contém, ainda que queiramos afastar de nós a maldade da bruxa, temos de garimpar em nosso mapa o que nos falta para ser completos. A feiticeira não é a expressão de nosso ato falho, mas a projeção do que gostaríamos de ser.

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