A loucura é uma porta sem maçaneta

Freud, a mãe e as três irmãs, dentre as quais, no meio, Adolfina.

Luiz Roberto Benatti.

Entre permanecer em Viena e morrer na câmara de gás do campo de concentração de Terezin, ou mudar-se, mais ou menos às pressas, para Londres, Freud optou pela Inglaterra e a vida. Foi autorizado a levar consigo umas poucas criaturas por ele triadas com a frieza de cruel magarefe: a irmã da esposa, o médico particular, o mordomo e o cão. Virou-se de costas para as três irmãs e deu no pé. Quem narra essa e outras histórias é um jovem escritor dinamarquês (Goce Smilevski) pela voz de Adolfina, uma das três irmãs executadas em Terezin. No romance, cruzam-se fatos de vida de Freud, lembranças de família, inclusive o depoimento do homem da Psicanálise sobre Adolfina: “A mais doce e a melhor de minhas irmãs”. No campo, Adolfina encontra-se com Ottla Kafka, a irmã de Franz que, estivesse vivo, também teria sido morto pelos nazistas. Para quem gosta de fatos curiosos, cujos desdobramentos lembram os fios dum carretel desenrolado por um gato brincalhão, no romance Adolfina lembra-se da primeira grande ocasião de angústia por ela experimentada ao abrir com poucos anos a porta do quarto do irmão e surpreender, membro empinado, Sigmund no ato masturbatório. Décadas depois, Freud disse que as meninas sentem inveja do pênis. Adolfina estava certa : o culpado é a vítima.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.