Leprosos em CTV em 1932: namoros com o inefável 32 e o esquecimento de Santos Dumont

Luiz Roberto Benatti.

A primeira imagem é da entrada do Asilo da Colônia Aimorés de Baru e a segunda, que, sem tirar nem pôr,  lembra a fachada do Barão do Rio Branco, é do Educandário Alzira Bley no Espírito Santo. Essas  colônias ou asilos foram apenas dois dos inúmeros abrigos de exclusão social dos leprosos na década dos 30s. Como em Catanduva nós gostamos de mentir sobre o pior de nós mesmos ao mesmo tempo em que exaltamos o clube, o churrasco, a birra e os feitos esportivos, omitimos que em 32 o prefeito Adalberto Bueno Netto deu ordens a um grupo de soldados comandados por Nicolau Senise para expulsar um grupo de leprosos acampados na Vila Motta, proximidades do atual instituto dos cegos. Todos os dias, o pe. Albino ia até o local para levar comida para os doentes e ele o fazia, primeiro porque não usava óculos de sol nem fazia selfies, em segundo lugar porque tomava refeições na Pensão Estrela, na Rua Maranhão ao lado do número 416, em terceiro porque era pároco por vocação e se lembrava dos leprosos que vira na África. Nesses dias, Catanduva estava perdidamente apaixonada pelo 32, revoluçãozinha nascida no restaurante da classe rica paulistana, e não queria ser contaminada por leprosos, além de acreditar que eles iriam invadir a cidade. Dois anos depois, em 34, Vargas lançou o Plano nacional de combate à lepra que previa a construção em todos os Estados do País de leprosários. Melhor confinar do que contaminar-se.Onde entra o grande aviador Alberto Santos Dumont que se matou em 32? Entra na vaga que a classe ociosa deixou aberta para a Verdade e a maturidade política. Santos Dumont responde mais ou menos por 250 inventos e, como era miliardário e homem desprendido de futilidades, não cuidou de patentear as criações, cujos prêmios ele repartiu com operários franceses. Quem se interessar pelo assunto poderá ler os livros de Daniela Penha, Memórias do Aimorés: sete retratos de internação, e O papel dos preven tórios, de Elaine Rossi Pavani. Catanduva continua a ressonar na cama perfumada  dos impávidos colossos da classe ociosa.  

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