Parmênides e o WhatsApp

Luiz Roberto Benatti.

O WhatsApp não pensa. Ele pensa em nós. Parmênides  o teria visto como ilusão porque ele faz parte do mundo sensível. O WhatsApp está ali, ao alcance dos seus olhos, de onde migra para o cérebro e a alma. Ele tem força reprodutora e multiplicadora. Seu vigor não deverá ser diminuído: o WhatsApp veicula a doxa, a crença comum, a opinião popular e, nesse caso, episteme alguma conseguirá levá-la à lona. Se eu disser que virá chuva porque os calos me doem, a chuva virá com ou sem raios. Se eu disser que Fulano é o rei da cocada verde-azulada, ele será nosso rei porque nosso pai já em seu tempo dissera isso, bem como nosso avô. A doxa produz ortodoxos aos magotes e todos eles formarão fila interminável a caminho do matadouro. O filósofo perderá seu precioso tempo ao dizer que o saber verdadeiro virá com a episteme ou que o erro é diferente da Verdade. Não queremos a Verdade mas a doxa que nos dará a certeza de que o nosso mundo é o mundo da maioria.

2 comentários sobre “Parmênides e o WhatsApp

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