Esplendor e miséria de Heleno de Freitas, admirável jogador de futebol [versão aumentada dedicada a Édison Sutter, carioca irrepreensível]

Luiz Roberto Benatti.

 Aos 39 anos, Heleno de Freitas faleceu no manicômio de Barbacena, MG, destruído pela sífilis, o álcool, o éter do lança-perfume, o cigarro e a vida promíscua com mulheres. No momento de seu esplendor em campo, cancelou-se em razão da eclosão da Segunda guerra a copa mundial e Heleno atirou-se contra uma realidade que não pode ser driblada. 1,82 m, bonitão, filho rico de fazendeiro, formou-se  como advogado e tocava piano, mas  jamais conseguiu conter em campo ou fora dele a propulsão para a  briga e o ajuntamento de desafetos à sua volta. Por essa razão, foi posto de lado na copa de 1950 e, a seguir, venderam-no para o Boca Juniors da Argentina. Contam que Eva Perón apaixonou-se por ele. Estivesse vivo (com 115 anos!) iria registrar-se em selfies diários, extasiado com a própria beleza. Lembram-se da personagem Gilda do filme homônimo interpretada por Rita Hayworth? Gilda era o apelido de Heleno de Freitas. Deixe de lado o leitor aquilo em que esteja pensando sobre o apelido, dado a Heleno pelos membros do Clube dos cafagestes que tinha a cara do Botafogo e o Rio de Janeiro numa época em que o futebol era frequentado pela elite econômica e cultural. Para se ter idéia disso anote os nomes de Baby Pignatari, Ibrahim Sued, Carlos Roberto de Aguiar Moreira, secretário-geral particular do presidente da República, Ermelindo Matarazzo, Jorge Guinle, o príncipe Dom João de Orleans, Sérgio Porto/Stanislaw Ponte Preta – eram membros do clube. Moçada rica que aprontava na rua e em festas. As torcidas furibundas dos jogos contemporâneos comprovam que a frequência aos clubes mudou do vinho para a água. Heleno era filho dessa elite carioca. Com o manicômio de Barbacena coisa alguma nos faltou para mostrarmos ao mundo como éramos parecidos com Dachau. O Brasil foi sempre o País da suprema bondade movida por elevadíssimos  sentimentos cristãos. No futebol, os ricos viraram cartolas e a classe média baixa estoura com pau e prego a cabeça do adversário.

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