Por linhas tortas, o Supremo tribunal federal esboça a cartografia do presidencialismo

Luiz Roberto Benatti

Os ministros são figuras refinadas: à mesa, os talheres não se trocam de lugar, a água é Perrier, a lagosta tem gosto de mar limpo. Vão ao trabalho  bem vestidos, sapatos engraxados, motorizados: vivem acima do andar de cima mas não se locupletam na piscina do erário público. Demoram anos ou décadas para despachar um caso complicado dos anos 40s, mas, quando o fazem, vemos que ele vem assinado com a pena da dignidade. Os ministros nos salvam de nós mesmos ou de nossas dúvidas quanto à cor tempestuosa da nuvem. São elegantemente sábios. Muitas vezes parecem olhar para as criaturas do Executivo com os óculos de Montaigne de grau um pouco alterado: O espelho de nossa conversa mole pendura-se no curso de nossa vida ou Será necessário cultivarmos um pouco mais de loucura se quisermos ser mais tolos. Quando a religião mistura-se com a ciência, o pão jamais ficará bem sovado. Os ministros não são os padeiros das massas esfomeadas, mas, diante da barafunda das idéias, eles tudo fazem para garantir que a lucidez como o sol matinal banhe os quadros e os tapetes do Planalto. À superfície ou no fundo, os ministros sonham com um parlamento  que nos garanta que o melhor para todos nós é trocar as pás do cata-vento sempre que elas estiverem emperradas.

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