Criptografia do crime

Natália Capristo Navarro

Não sabemos quem estipulou as fases do desenvolvimento: nascer, crescer, viver e procriar. Não importa se seguimos o roteiro das gerações anteriores. Continuamos a produção de vontades próprias. Mas, se levarmos em conta o que escreveu Schopenhauer, a vontade de viver impera e se pensarmos em Nietzsche seremos esmagados pela vontade de Poder.

Seja vontade de viver ou poder, somos instigados por elas. Freud dirá sobre a vontade de prazer, ligada ao desejo e se nossas escolhas estão ligadas a eles somos seres desejantes. Logo, através de nossas escolhas, buscamos a realização. Assim como o joelho é a alavanca do corpo, as vontades e escolhas nos movem.

Como os irmãos marroquinos do filme Babel levados pela disputa cometem o crime a  que toda a trama se liga, Caim, tomado pela fúria, mata o irmão: Raskolnikov, personagem dostoievskiano, apoiado em sua teoria sobre homens ordinários e extraordinários, escolheu o assassínio da velha usurária e, durante o crime, escolheu novamente o assassínio de Lisavieta para que sua primeira escolha não o prejudicasse.

A vontade a priori que nos leva às escolhas é una e cada um, à sua maneira, parte para o mundo fenomênico para tentar saná-la.

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