Samuel Beckett: recordações dum período de intensa vida literária com Rubens Rusche, em SP

Luiz Roberto Benatti

Conheci Rubens Rusche nas editoras Cultrix e Pensamento: foi   nosso revisor free-lancer e, assim que José Paulo Paes aposentou-se, eu o convidei para iniciar-se em tradução. A primeira experiência foi sofrida, mas depois ele tomou gosto pela tarefa.Por ocasião do 80º.aniversário de nascimento de Samuel Beckett, ele me procurou no Planalto Paulista com um projeto ambicioso: traduzir boa parte do teatro do irlandês. Aventura, suor e satisfação. Três anos em que falávamos Beckett, respirávamos Beckett, jantávamos miojo à moda de Beckett. Nascido nessa época, Rubens chamou o filho de Samuel. O projeto Beckett resultou na montagem de Katrastrophè, exibida em SP, RJ e Brasília. O prof. Alfredo Mesquita escreveu sobre a qualidade da montagem e as traduções. Guzyk e Célia Berettini publicaram resenhas em jornais e revistas. Depois da co-tradução de Not I, voltei a traduzir essa peça terrível em que o único objeto visível em cena é uma boca que fala e refala de tal modo, que não se nota identidade entre esse discurso endoidecido e o resultado das  maquinações do cérebro.O hiper-realismo beckettiano antecipou-se ao absurdo cotidiano: as bocas falam sem parar sem que haja entre essa algaravia dutos saudáveis de comunicação com o cérebro.   Acrescentei-lhe posfácio e a Editora Olavobras editou a plaqueta.

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