Um conto atual

Cintia Alves

Um conto que escrevi em 2016, mas que  parece muito atual:

Um dia que ela não estava ali teve um estranho pressentimento.

Acrescentou algumas gotas de perfume dentro do vaso de flores plásticas que guardava com tanto afeto dentro do armário da cozinha e colocou-o sobre a mesa do salão de entrada.

Olhou furtivamente para um brinco que furtara. Era a ocasião exata para usá-lo.

Pensou, admoestou-se por não ter pego também o colar e a pulseira, mas não quis parecer gananciosa na ocasião. Agora queria. Era a ocasião certa para parecer o que quer que quisesse ou não.

Lembrou que havia um velho licor na geladeira. Uma fruta qualquer embebida em álcool. Não precisaria ser uma fruta específica, uma vez que o álcool era o ingrediente mais precioso e significativo da mistura.

Seu vestido não era justo nem curto, mas um decote profundo evidenciava algo além do belo sorriso.

Olhou para os sapatos e percebeu que o chão lhe fugia devagar.

Andou tropegamente até a porta de entrada. Saiu. Tocou a campainha e retornou como uma visita indesejada.

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