Fala-me

Ah

Fala-me de

Ana Lívia!Quero ouvir tudo

Sobre Ana Lívia. Bem, você conhece Ana Lívia? Mas, claro, todo mundo. Fala-me tudo. Quero ouvir já. É de matar. Ora, você sabe, quando aquele malandro fez baque e fez o que você sabe. Sim, eu sei, e daí? Lave com calma e não saalpique a gente. Levante as mangas e solte a língua. E pare – ai! – de bater em mim quando se abaixa anágua. Ou que diabo foi  que trentaram descobrir que ele tresandou fazendo no parque de Duêndix. O grande canalha! A camisa sua, veja! A lama que ela deixa! Toda a água está preta. É molhar e malhar a setemana inteira. Já lavei tanto que perdi a conta. Sei de cor os lugares que ele costruma cacolavar, s’sujeito sujo! E eu esfolando a mão e esfomeando a minha fome para tornar pública sua roupa íntima. Bata bem com a batalhavadeira e limpe depois. Meus pulsos emperrujam de tanto esfregar as manchas de mofo. Que dniepers de umidade e que gangrenas de pecado!

[frag 7 de Finnegans wake, na trad. de Augusto de Campos. Ana Lívia é o Rio Liffey que atravessa Dublim, ao pé do qual estão as lavadeiras joyceanas que,enquanto batem a roupa, papeiam.]

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