Carta muito breve

Luiz Roberto Benatti

Carta muito breve à

Sra. Sheril Sandberg

Facebook, EUA

Prezada senhora:

No livro do francês Jules Verne, Miquel Strogoff,  de certo modo um antecessor do Messenger/Facebook,  Strogoff percorre 5 mil quilômetros para entregar ao grão-duque mensagem do soberano. Strogoff sofre humilhação e tortura, além das intempéries físicas, para levar a  cabo a difícil missão. Ao valer-se de modernos recursos de comunicação, o Facebook convida os associados a recuperar antigas amizades ou a fazer novos amigos, e o Messenger, a ele acoplado, vai além da lenta e solitária possibilidade do telégrafo. Sem o Facebook, estaríamos fora do mundo. Professor de Língua portuguesa e Filosofia aposentado, aos 77 anos, e morador de cidade do interior do Estado de São Paulo, vi, com certa humilhação, minha conta no Facebook ser  suspensa porque numa story postei um índio pelado do sr. Sebastião Salgado, e noutra  escrevi duas ou três linhas sobre o líder nazifascista  Plínio Salgado. Minutos depois, jovens censores do Facebook, obedientes a algum de meus desafetos, excluíram-me da rede social. Com base em meus 45 anos de magistério, digo-lhe que o ato atingiu-me com a mesma força com que Strogoff, abatido por tiro, não poderia ter cumprido sua missão. O Facebook deveria repensar seus critérios de ajuizamento ético e a questão da denúncia praticada por desafetos. Aceite meus mais sinceros respeitos.

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