Araguari, Person e os irmãos Naves

Luiz Roberto Benatti

Ao listar os 10 melhores filmes brasileiros, de modo quase que unânime, nossos intelectuais deixarão de lado O crime dos irmãos Naves e, para não parecer desinformados, na cabeça da lista ali estará o inefável Limite de Mário Peixoto, com seu mar interminável, balanço sem fim, o crime que não se evidencia, o território materno, enquanto que o crime  dos Naves é o covil estreito do pai cruel que em cada um de nós imprime o ferrete quente da dor. Luís Sérgio Person já fizera São Paulo S.A., que também não costuma frequentar a famosa lista dos 10 mais, de suma importância para a releitura da plena alienação de indivíduos que, à primeira vista bem sucedidos no ponto alto da indústria automobilística, trombam com o vazio e a perda do prumo no dia-a-dia: entre o Nada e Coisa alguma eles acabam por mergulhar-se no poço seco de suas almas. Parece-me que Person queria fazer um filme diferente dos de Antonioni e isso o fez recordar-se do relato do erro de justiça cometido contra dois irmãos mineiros, torturados e levados a confessar que eram os autores dum assassínio jamais cometido. O fato ocorreu na hora mais quente da ditadura Vargas e o erro só foi reparado depois que o falso morto apareceu vivo.  Grande cineasta, a viúva de Person, Regina Jehá, também anda esquecida, embora o seu  documentário sobre Krajcberg seja uma maravilha poética.

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