Depois do antebraço

Margarida Ferra

Depois do antebraço,
a única coisa que temos em comum
é aquele curto contacto, um pouco de pele
ainda, outra vez, como das outras vezes
que nos perseguem, ainda, no sono profundo.
Não há impressões discordantes,
ideias urgentes, as notícias são sempre da semana passada.
Nunca será o tempo de um jogo de tabuleiro,
política, literatura, cinema, futebol.
Nunca existiu a pontuação correcta,
ditado com zero erros,
uma ordem qualquer para algumas palavras
(mesmo que não fossem palavras exactas)

(não há palavras exactas)
a entoação justa, vozes claras,
agricultura biológica, miopia.
Nunca houve dedos a aquecerem um copo
de vinte centilitros,
a espuma branca que desce,
e não podermos falar de mais nada.

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