Macbeth deveria ser leitura obrigatória para o candidato ao poder

Luiz Roberto Benatti

Provavelmente, ficará o leitor espantado em saber que, da palavra grega pótis, derivou o vocábulo  poder,  que para os helenos era o marido. Despotés (despótico)era o senhor, o chefe da casa. Vemos, assim, que na casa as pessoas não se limitam a aquecer-se contra o frio, dormir, fazer as orações ou alimentar-se, mas, sobretudo, brigar pelo mando. O exercício da administração pública é a casa ampliada. Mais espantados ficarão em saber que grande é a família dos vocábulos derivados de poder, tais como: posse, possível, potência, poderoso, prepotente. Estar acima dos demais cidadãos e exercer o mando provoca em nós coceira que, à medida que aumenta, conduz ao mando sem peias e à loucura. Não se esqueçam de que a família vai à bancarrota. É por isso que o Macbeth teria de ficar na mesa do gabinete a fim de que o chefe para ele lançasse olhar de interesse ao menos uma vez por dia. A peça poderá ser lida em meia hora, por ser a mais breve das tragédias de Shakespeare. Macbeth e a mulher consorciam-se na luta pelo poder e, para tanto, assassinam Duncan. Remordido pela culpa, Macbeth, aterrorizado, assiste à dança aérea duma adaga manchada de sangue, a partir de cujo momento ele se mergulha na loucura. Virgílio observou que, na verdade, a loucura inicia-se pelo gosto desmedido da aura sacra fames ou a fome maldita do ouro.

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