Chou en lai está fora do armário

Luiz Roberto Benatti

A historiadora chinesa Tsoi Wing-mui pôde finalmente arrombar a porta do armário onde o grande primeiro Chou en lai havia sido trancafiado em 1976, poucos meses depois da morte de Mão, o fundador do partido comunista. A cúpula do partido com certeza saberá como banir o livro, mas o estrago já se fez, apesar de Chou continuar sendo o que sempre foi – homem sensível, culto e inteligente. Tsoi debruçou-se sobre as cartas e  os diários de Chou e a mulher, Deng Yingchao, cujas relações amorosas foram sempre enregeladas e distantes. O título do livro é A vida emocional secreta de Zhou Enlai (na transliteração inglesa). Os grandes e pesados mastodontes da redentora de 64, estejam onde estiver, devem estar espumando pelas ventas, principalmente porque Jango Goulart, que não era gay, esteve com Chou em agosto de 1961, assim como Richard Nyxon, Simone de Beauvoir e Chê Guevara. O mundo dá muitas voltas, mas os machões hão de morder a língua até que ela sangre em verde, amarelo, azul e branco, às margens plácidas do Rio Ipiranga.   

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