ANDALUCIA

                Sérgio Roxo da Fonseca

         A Andalucia fica no sul da Espanha. Entre ela e a África está o Mediterrâneo. Foi colonizada por vários povos. Fenícios, gregos, cartagineses, romanos, bárbaros e árabes. Todos eles deixaram o sinal de seu sangue e de sua cultura.  Os cristãos e os árabes tiveram  influência dominante.

         Suas cidades são admiráveis, dentre elas Sevilha, Córdoba, Granada, Cadiz, Jerez e Málaga. “Andalucia” deriva de “vândalos”, bárbaros, que, junto com os álanos e suevos, saquearam a região no declínio do império romano. Os árabes, que por lá chegaram,  não conseguiram pronunciar corretamente a palavra “vândalo” e a alteraram para “al vandalus”, daí derivando Andalucia.

         O mesmo fenômeno ocorreu com os nomes das cidades espanholas. O grande César Augusto emprestou seu nome para uma cidade que fundou, longe dali. Os árabes não conseguiram pronunciar  o nome da cidade, “César Augusto”,  derivando dai o nome para Zaragoza, que está no nordeste espanhol. Em Sevilha foi a mesma coisa. Os romanos  batizaram o local com o nome de “Híspalis”. Os árabes deram outra entoação à palavra, transformando-a em “Isbília”, daí resultando o nome “Sevilha”. Antes disso, os gregos criaram a cidade de Ulisses, ou Oliponensis, que os árabes transforaram primeiramente em Lisbona, para depois fixar-se em Lisboa. .

         Maomé faleceu em 632. Cem anos depois, seus discípulos haviam conquistado a Síria, o Egito, o norte da África e a Espanha, sendo detidos em sua expansão já em território francês na Batalha de Poitiers em 732. Somente oito séculos depois, em 1492, os reis católicos, que eram visigodos,  venceram os árabes e unificaram a Espanha, no mesmo ano em que Colombo descobriria a América.

         Enquanto toda a Europa estava mergulhada na Idade Média, a Andalucia, sob os árabes, permaneceu fora dela, expandindo-se nas ciências e na economia. Na virada do primeiro milênio Córdoba tinha uma biblioteca com mais de vinte mil volumes. Ali nasceram Averrois e Maimônides, o primeiro árabe e o segundo judeu, os mais notáveis pensadores daqueles dois povos após o  surgimento do cristianismo. Granada na época chegou a ter 400.000 habitantes.

         Em Granada os reis católicos colheram a rendição do príncipe mouro que a eles entregou o seu castelo governamental, o Alhambra, que significa  vermelho. Nas suas paredes estão gravadas frases curiosas. O príncipe mouro teria chorado quando entregou as suas chaves aos reis católicos, Fernando e Isabel, reconhecendo a sua derrota. Sua mãe teria lhe dito “não chores como criança pelo que não soubestes defender como homem”. Em outra parede está escrito: “mulher, dê uma esmola para esse cego porque na vida não há nada pior do que ser cego em Granada”.

          Frase por frase, uma delas revela o amor da Espanha pela Andalucia: “quien no ha visto Granada, no há visto nada”.

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