Não sabemos o que fazer da Praça da República

Luiz Roberto Benatti

Em 1957, Borelli inaugurou a nova Praça da República que nem de longe lembrava o antigo Largo do café e muito menos se parecia com alguma coisa que pudesse ser curtida por namorados, mamães com seus bebês ou algum pau d’água emborcado num banco. As palmeiras imperiais foram abatidas e as sombras remanejadas para Júpiter. Deslocada para a Rua Sergipe, ele mandou edificar a pérgola que, a rigor, até hoje ninguém sabe para que serve, cujas escadas laterais não levam a lugar algum. Em 1957, Borelli inaugurou a fonte projetada por Oscar Valzacchi. A exemplo do Manequinho holandês, mão no pirulito, o menino pelado mijava na fonte. Cada comunidade tem a Fontana de Trevi que merece. Agora, as administrações Macchione/Marta Espírito Santo, figuras proeminentes da arquitetura urbana, acabaram de inaugurar em frente do finado Cineteatro República um mictório público, de fato um caixote que imita a parte baixa da Praça 9 de Julho. A cidade perdeu o mapa do que era, o rumo e o prumo, de tal modo que o Manequinho do Valzacchi vai mijar fora do vaso.

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